Eis aqui o travesseiro, um espaço para diálogos acarianos Sim, ácaros também pensam e blogam. . Sobre a literatura e a vida. Sobre o que fazemos quando diante de um livro ou uma película do Woody Allen.

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Domingo, 12 de Julho de 2009

O leitor


Há estremecimentos quando diante de um bom livro ? Gritinhos abafados porque a biblioteca esquecida perto da sua casa guarda coleções que vão do rebento nordestino ao dissecador de almas russo ?

Sim, há também excitações quando um filme parece bom, quando fala de livros e quando os que estão lá te fizeram, além de espectador, leitor. Foi assim em O leitor, pretensão antiga, trama desconhecida e já de antemão apaixonante só pela capa, isso, capa, como num bom livro que arrebata pela capa.

E como num romance naturalista, 'bovarryano', um encontro de desiguais...e não, diferente de tudo, em o leitor não há espaço para as cismas, para uma sociedade despreparada...há sim, um enredo que enreda o leitor, uma possibilidade...a de que por não saber ler, perde-se tudo, mas ganha-se, quem sabe, algumas linhas de A Dama e seu cachorrinho.


Karenina, a leitora, aquela que deu pulinhos e gritinhos animados por ver ali, em alguns pixels, algumas de suas leituras: As aventuras de Hukeberry Finn, Lady Chatterley, Anton Checov, e Madame Bovarry...e que encontro, porque um leitor, sim, um leitor sempre topará vez por outra com as suas literaturas, tão universais e nem tanto assim.

P.S Do mesmo diretor de As Horas ( releitura de Senhora Daloway de Virginia Woolf)

Sábado, 11 de Julho de 2009

***Lady Chatterley (D.H. Lawrence)

Uma postagem sobre impressões...letras meio tortas... impressões nada nobres
" Toda vez que um escritor se dispões a chamar os bois pelo nome, arrancando a máscara de hipocrisia que encobre as chamadas "convenções sociais", uma coisa é certa: voltam-se contra ele os "donos da opinião", as tais figuras de "caráter puro e sem jaça", que, procurando a todo custo manter as aparências, são capazes de todas as indignidades e de todas as baixezas para impor seu modo de ver" (Ênio Silveira)
Primeiras linhas:" Vivemos numa época essencialmente trágica;por isso nos recusamos a aceitá-la como tal". ( Lawrence in ...Lady Chaterrley)
Algumas impressões: Em Madame Bovarry, Gustave Flaubert não impressiona tanto pelos termos, mas pelo tema. Lady Chatterley, ao contrário, não economiza nos termos.
Lady Chatterley não me arrebatou o bastante, a trama por vezes era cansativa e um pouco infantil, talvez, ciente disso, o autor não omitiu nenhum detalhe, o que,de fato, foi a razão pela qual o romance foi proibido quando de sua publicação. Flaubert, o francês, me pareceu menos agressivo, menos lascivo...deixou para as entrelinhas ( a exemplo do passeio de Léon e Ema )
Faltam ainda uma poucas páginas, quinze talvez...e apenas consegui sentir pena de Mellors, ojeriza a Clifford...nada em relação a Constance.
Um bom romance, ...apesar do estilo, soube me conduzir até o desfecho :
  • Constance e Mellors ficarão juntos ?
  • Clifford aceitará a fuga de Constance, entenderá que o seu egoísmo levou Lady Chatterley a este comportamento ?
  • A primeira mulher de Mellors tomará alguma atitude no fim da trama ?
  • A senhora Bolton ficará com Clifford ?

Karenina, a leitora.

Crime e Castigo

Uma bibliólica pode ser amante de um autor sem ter lido meia dúzia de seus romances; um bastaria. Não necessariamente precisaria tê-lo, poderia apenas tê-lo lido.
Tostoi ( romancista Russo) me arrebatou por Ana Karenina e algumas linhas:
"Todas as famílias felizes se parecem, cada família infeliz é infeliz à sua maneira"
E apesar da Kariênina e mais algumas obras de inexorável valor ( A morte de Ivan Ilcht), me vejo diante de Crime e Castigo do não menos arrebatador Fiódor Dostoievsk, e sim, há a possibilidade de ir além...
E foi assim, depois de tomar nota da nova leitura:
CRIME E CASTIGO, 1866
FIÓDOR DOSTOIEVSK
BIBLIOTECA DO SARAH, 10 DE JULHO
Passo para as primeiras linhas e numa coincidência shakespereana ou mesmo numa trama bem ao estilo Ágatha Cristie:
" Nos começos de Julho, por um tempo extremamente quente, saia um rapaz de um cubículo alugado, na travessa de S*** e, caminhando devagar, dirigiu-se à ponte de k***".
(In Crime e Castigo, Dostoievsk)
Se não me impressionou tanto pelas primeiras letras, rendeu um bom post.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Veronika decide morrer

De resto isto de ter opiniões não é fácil. Sempre que me dei a esse luxo, fui forçado a reconhecer que eram falsas ou erróneas." (Raul Brandão)
E se você fosse normal ?
De perto ninguém é normal, já afirmava isso um dos rebentos da Tropicália...e apesar de difundir esse mito fundador aos quatro cantos, aos cinco ventos...ninguém se permite diante de um louco...talvez sejamos loucos apenas para essas postagens, para movimentos em blogs... mas para andar aos pares o discurso seja meio que inválido. Saber que o cliché há pouco registrado talvez seja uma das verdades universais e fundamentais é o que me faz sorrir...mas, assim como o pior cego é aquele que não quer ver, o pior louco é aquele que perde a si mesmo e prefere, em vez do embate,o rótulo de louco. Em Verônika decide morrer ( agosto nos cinemas) Paulo Coelho registra a loucura e como nós, individualmente,quando diante duma manifestação de loucura tendemos à domesticação. Seria essa a solução ? Domesticar os loucos para que se adequem à nossa visão de normalidade ? Convivo com loucos...alguns destes me perseguem com dietas espetaculares, outros com horários e rotinas, alguns com questionários malucos ( sem parecer redundante) outros com definições e textos "iluminados"...alguns loucos eu desconheço...no entanto são loucos...e nao pode-se simplesmente domesticá-los...ou gritar. E nem opinaria. Não há como saber se o melhor seria simplesmente ser mais um louco...não compreender que somos todos anormais e sorrir...
É fato, todos temos o poder que a nós mesmos conferimos...e se preferimos não correr o risco ou criar novas filosofias...ou mesmo desistir, é porque preferimos transferir esse poder...ao tempo, aos blogs, à vida. Porque poder implica responsabilidade...e seria mais fácil inventar explicações, postar, ir ao cinema, refugiar-se em cursos, trabalho, fugir ...a simplesmente se responsabilizar, pagar o preço... por estar errado, por ouvir, por pagar uma conta, por ter escolhido isto a aquilo, por ser sincero, por ser complacente com uns e amargo com outros, por ser uma balança, dois pesos e duas medidas...
Loucuras à parte...Veronika deciciu morrer
Karenina, um ácaro inteligente e louco que sorri com as insanidades alheias.

Julho, mês das férias...das mudanças

E como não sou precipitada...não formulo filosofias sobre nada...tendo mais para aquilo que está mais proximo á realidade. Por mais que tenha feito um ligeiro pacto sobre não comer e ser ex gorda, havia, no fundo, um tom jocoso naquilo tudo...não daria, dentro da minha realidade, para tentar emagrecer em pleno julho...Mas dentre as coisas que pretendo cumprir estão as horas de estudo programadas, as tabelas de rotina espiritual, a arrumação no quarto e as visitas à biblioteca. Nem tenho grandes pretensões assim...só sei: este é um mês, não para novas descobertas ou para sufocar...não para filosofias de vida...e não, eu não mudei depois dessa viagem...mas, sim...trouxe muita coisa pra contar ( e quem viaja tem sempre muito o que contar) e sim, viver é saber gerenciar..."ter jogo de cintura"...ouvir e falar. (foi o que aprendi quando compramos o frango assado, vulgo galeto, para que por fim pudéssemos ter dias de princesa por ali)
Karenina...eu já vivi um pouco.

Domingo, 5 de Julho de 2009

Um deixa

Um ácaro inteligente posando de turista. E quem lembra que há vida lá fora ?

Post bobo...do tipo bobo mesmo

Esta postagem é contra indicada àqueles que não aguentariam meia linha sobre viagens alheias à Barreirinhas. Caso este texto cause ojeriza, leia as barras na lateral, há conteúdo bom por lá.

Na noite anterior à viagem eu fiquei pensando quantas vezes na vida eu, além de pensar, agi. Nós pensamos muito. Pensamos sobre coisas que fizemos, coisas que queremos fazer. Pensamos por simples arrependimento, pensamos apenas para reafirmar um ligeiro engano, pensamos para fingir que estamos certos ou para dizer que estamos pensando... Uma amiga me disse certa vez: eu estava pensando em montar um projeto na escola...teatro, apresentação nos palcos...
Nesse mesmo ano o pensamento dela se transmutou e virou ação.
Então... eu pensei que um dia poderia viajar sozinha. Pensei que eu mesma iria planejar, organizar, negociar e executar ( que óbvio)...pensei que seria legal..até sorri com isso. Já pensei nisso como uma simples resposta ao fato de que alguns mais próximos já haviam ido e eu nunca...e esse é o pensar quando na verdade não se pensa nada, a não ser em de alguma forma sentir-se aliviado por responder, vingar-se...( de quê...vai saber...)
Eu achava que estava pensando...
Pois é...eu pensei que não dava para acontecer assim...e, como sempre respeitei os períodos, sem pular fases...acho que foi a melhor época, a melhor fase...quando se parte do simples pensamento para a concretização. Pois é...pensar foi um dos verbetes mais evocados durante essa viagem...e eu nunca pensei que a experiência fosse tão boa assim.
Eu quero repetir !!!





Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

O Norte e seus encantos: o tacacá, o carimbó e o siriá.

















































































Quintana, o meu bom velhinho das rimas espetaculares, já dizia que devemos sair de casa com quem vai viajar...

Viajar é bom...cura ressaca, desamores, nos dá a sensação de que milagrosamente crescemos, transmutamos...quem viaja tem muito o que contar.

E foi assim...diferente de todas...ir para o Norte é sempre uma boa idéia, a melhor de todas...

O Norte: Pará, Belém, Castanhal, São Domingos do Capim...e quem disse que foi simplesmente viajar ? Foi uma descoberta!!!


Karenina, feliz da vida...porque está de férias.

Fotos: Nique Motoca